Sociedade - Economia

Investir em nutrição como catalisador do crescimento económico

Monday, 04/09/2017 | 13:36 Fórum MOZEFO 2017 vai abordar a questão do investimento em nutrição de forma transversal nos diversos painéis de debate

Ao longo das últimas semanas, temos publicado neste espaço um conjunto de artigos que abordam as principais temáticas relacionadas com o crescimento económico e desenvolvimento social das nações. Hoje debruçamo-nos sobre a desnutrição que é um problema de base para os países em processo de desenvolvimento.

Para analisarmos a questão da nutrição, vamos partir da premissa que sucesso económico das nações depende, em grande parte, de ter uma população educada, capacitada e saudável. Existe uma correlação entre nutrição e produtividade, crescimento económico e estabilidade política. Estudos das Nações Unidas mostram que a nutrição pode constituir um importante catalisador do crescimento económico inclusivo, uma vez que cada dólar investido produz um retorno situado entre 15 e 138 dólares americanos. Verificámos assim que o investimento em nutrição, por mais pequeno que seja, garante um retorno elevado com grande impacto socioeconómico.

Entre os grupos mais afectados pela desnutrição estão as crianças. Estima-se que a fome e desnutrição matam uma criança inocente a cada cinco segundos, sendo as causas responsáveis por 11% do ónus mundial de mortalidade. Por outro lado, a criança malnutrida apresenta também menores probabilidades de um bom aproveitamento escolar e é mais susceptível de contrair infecções e de sofrer de doenças crónicas na idade adulta. Com estes dados, chegámos à simples conclusão de que investir em nutrição significa investir nas gerações futuras, na prosperidade e sustentabilidade a longo prazo.

Esta questão reveste-se de extrema importância, se analisarmos os dados demográficos que apontam para um enorme crescimento da população jovem na África Subsaariana e no sudeste asiático. Os bebés que vão nascer, ao longo dos próximos 20 anos, entrarão na fase adulta num momento único: a população activa destas regiões irá exceder a população não activa numa proporção de 2 para 1. Este factor oferece uma oportunidade rara de promoção do crescimento económico, melhoria da qualidade de vida das populações e contribuirá definitivamente para que muitos países transitem da pobreza para a prosperidade.

O tema não podia ser mais urgente. Concluímos assim que acabar com a malnutrição não é apenas um dever ético, mas também um importante factor de promoção de crescimento económico e desenvolvimento das nações.

Neste contexto, o investimento em nutrição e a erradicação da fome deverão constituir uma das prioridades das agendas políticas dos governos dos vários países e exigem o trabalho conjunto com os organismos internacionais na busca de soluções em grande escala a nível global.

O Fórum MOZEFO 2017 vai abordar a questão do investimento em nutrição, de forma transversal nos diversos painéis de debate, dada a sua importância para a promoção do conhecimento e factor de crescimento económico. Neste sentido, entre os oradores confirmados, está Lawrence Haddad, director-geral da Global Alliance for Improved Nutrition (GAIN), uma iniciativa das Nações Unidas, criada em 2002, que procura mobilizar parceiros públicos e privados e conceder assistência técnica e financeira para o combate à malnutrição. Este organismo tem actualmente um conjunto de programas implementados em África e na Ásia, com particular destaque para a melhoria da nutrição das grávidas e crianças. A experiência no terreno e os vários estudos realizados por Lawrence Haddad, sobre nutrição, representam uma enorme mais-valia para o enriquecimento do debate sobre esta temática. Por outro lado, a participação de José Maria Neves, antigo primeiro-ministro de Cabo Verde, uma vez que o país representa um bom exemplo no que respeita à redução significativa nos números da malnutrição.

 

 

fonte: opais.sapo.mz

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