Entretenimento

Ao estilo 34, “vana va ndota” celebram carreira

Monday, 06/11/2017 | 13:54 34 anos é o tempo de vida que Ghorwane tem. Para assinalar esse marco raro na música moçambicana, os integrantes da banda uniram a sua festa à da cidade de Maputo, que, este mês, completa 130 anos.

Ao estilo 34, “vana va ndota” celebram carreira

Assim, os “vana va ndota” subiram ao palco do Coconuts Live, na capital do país, na noite do último sábado, e conduziram o público, maioritariamente jovem, a uma viagem pelo tempo, por via da música. Ghorwane tocou temas que não só marcaram a história do país como de um país inteiro, claro, sem se esquecer do seu álbum mais recente,“Kukuvata”, que ali encontra-se a música mais afamada da banda neste momento, “Mussakaze”, a qual, no Coconuts, revelou coros improváveis do lado do auditório, cantando-se como terapia.

De acordo com Carlos Gove, o baixista da banda, os 34 anos de Ghorwane foram sempre trilhados com respeito ao público que os acompanhou. E, agora que as rugas tornam-se salientes nos semblantes de alguns membros, a maior preocupação de Ghorwane já não é apenas a música, embora não deixe de ser importante: “De uns tempos para cá, a grande preocupação que temos é tentar transmitir à nova geração um legado na forma de estar na música. E estamos nesse processo, daí termos apostado em sangue novo na banda, consciente de que, na mesma proporção que ensinamos também podemos aprender”, afirmou Carlos Gove, acrescentando: “precisamos de bandas consistentes no país, embora reconheçamos que há uma nova vaga de músicos que vem com uma abordagem diferente, que faz com que o futuro musical no país seja promissor”.

Ghorwane resolveu associar a celebração dos 34 anos de carreira aos 130 da cidade de Maputo em jeito de agradecimento, “porque a banda surgiu aqui, vivemos aqui e aprendemos muito desta cidade. Há um compromisso entre a banda e a cidade que não se pode separar. Aqui Ghorwane construiu-se e, a partir daqui, temos feito música para o mundo”.

Quando Ghorwane foi fundada, Sheila Jesuita, uma das integrantes, ainda não havia nascido. Nada que impede que a princesa do grupo pense a grande, quando se fala do horizonte que lhes move: “o céu é o limite. Não temos um ponto exacto que queremos alcançar. Nós queremos é continuar a fazer música, ficando na história do país a cada momento, sempre com o mesmo entusiasmo. E nós próprios vamo-nos alegrando à medida que vamos fazendo o nosso trabalho”.

A celebração dos 34 anos de carreira da banda Ghorwane e 130 da cidade de Maputo contou com a presença de alguns convidados, como os irmãos Willy e Aníbal. O segundo foi o produtor do primeiro espectáculo de Ghorwane. Aníbal lembra-se desse momento como se fosse hoje:

Ghorwane é um grupo que vi nascer. Eles actuaram pela primeira vez no Cine-África. Eu fui o produtor desse espectáculo, como membro da Associação dos Músicos. Então é uma satisfação ver que até hoje eles cultivam este tipo de trabalho de raiz”.

Com efeito, uma das pessoas que fez com que o preço do bilhete do espectáculo valesse a pena foi Xixel Langa, que, cantando cerca de cinco músicas, enquanto esteve no palco, numa actuação categórica, enérgica, fez com que o público pensasse que o espectáculo só poderia ser dela. E não era para menos, afinal a cantora e a banda têm algo em comum. E Xixel lembrou: “a banda Ghorwane tem minha idade. Começaram exactamente quando eu nasci e costumavam ensaiar lá em casa. Então tem um significado importante actuar no espectáculo dos 34 anos, também porque um dos co-fundadores da banda foi o meu tio, Pedro Langa. É bom estar a compartilhar esta felicidade dos 34 anos com os tios, e espero partilhar meus 34 anos de carreira com eles”.

Ghorwane foi fundada em 1983, e, o seu repertório musical inclui obras como “Majurugenta” “Vana va ndota”, “Kudumba” e “Kukavata”.

fonte: opais.sapo.mz

Comentário