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“Bíblia Lounge” de Leco Nkhululeko

Wednesday, 08/08/2018 | 14:26 O poeta e dizedor de poesia, Leco Nkhululeko vai lançar no dia 09 do mês em curso, no Museu Nacional de Arte, em Maputo, o segundo livro intitulado “Bíblia Lounge”.

“Bíblia Lounge” de Leco Nkhululeko

A primeira “bíblia” no campo do romance das letras nacionais veio pela mão de Dóm Midó das Dores e Leco Nkhululeko, dentro da poesia.

“Bíblia Lounge” é a próxima construção poética que Leco Nkhululeko nos convida a habitar e a deixarmo-nos habitar por ela. Os “versículos” desta “Bíblia” já escritos em diversos momentos do existir do poeta; aliás, em recitais de poesia organizados por Leco já era possível ver na sua voz que havia uma gravidez de um livro. Este livro é em parte um espaço de reencontro dos deuses “sagrados” da bíblia literária nacional: Luís Carlos Patraquim, Eduardo White, Noémia de Sousa e Rui Knopfli.

Em nota de abertura, o escritor, Juvenal Bucuane, considera a “Bíblia Lounge” como algo que se assemelha a um lugar amplo, de retiro espiritual, para dentro do qual somos convidados a uma reflexão. “É uma obra de vigorosa expressão de labor poético que, trilhando nos novos caminhos resultantes do desbravamento que leva o visco do modernismo, permite que nos compenetremos numa evolução poética interessante que teve o seu Alfa com o livro “Há Gritos no Silêncio” - assim considera o autor de “O Fundo Pardo das Coisas”.

A “Bíblia Lounge” é um exercício poético onde a expressividade no verso é tão elevada, parecendo que se está perante uma poesia do neoconcretismo:“Tua concha/ elixir de paixões/ unguentos de poesia/ aos deuses vertigens”. A poesia deste livro escorre sobre as páginas, cruzando-se com outros sentires e tendências que o poeta nunca tinha experimentado; o faz deste livro uma “Bíblia” de desejos, sonhos e inventários de tempos é a sua forma de conjugar o erotismo não sagrado, a poesia não pensada (mais sentida) com uma fragmentação de sentimentos e que não escapam a pena espiritual do poeta: “Teus olhos/ redondo refúgio/ ancas arqueadas de poesia/”.

Leco Nkhululeko quando questionado sobre o que quer transmitir ao escrever uma “Bíblia Lounge” respondeu “a Bíblia Lounge é um nocturno lugar, imaginário, a orla de qualquer superfície, onde atracam as sofregas, ocultas e desamparadas almas, sedentas de afecto e abrigo”. Indo sobre o conceito sobre as vozes que existem essa bíblia, Leco, retorquiu: “aqui a sorte não existe e as palavras não precisam significar. Elas entoam o metamorfoseado amor soberano, pois os homens no seu próprio abandono distanciam-se da luz e da largura do aparato ideológico”.

Leco iniciou-se na poesia a partir de jornais. Recebeu distinções no Prémio Nosside (Itália) pelos poemas “Sangue de Darfur”, “Casa de Ninguém”, “África Esperança” e “Eutanásia-2014”. “Há Gritos no Silêncio” foi a primeira obra de Leco Nkhululeko apresentada em Moçambique e Brasil; fora aos versos escritos destaca-se como um exímio dizedor de poesia. Tendo já apresentado os seguintes recitais “Vomitando Palavras”, “Elogio de Amor”, “Crenças”, “Libertem a Liberdade” e “Solo Pátrio”. A “Bíblia Lounge” sai sob a chancela da PubliFix Edições.

fonte: opais.sapo.mz

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