Saúde

Militares acusados de matar, estuprar e ferir inocentes em Nampula

Quarta-feira, 07/11/2018 | 11:15 Mais um episódio de violência ganha repercussão em Nampula, agora tendo como actores principais militares de um quartel localizado no bairro de Mutava Rex, a escassos quilómetros do centro da cidade capital.

Militares acusados de matar, estuprar e ferir inocentes em Nampula

 Tudo começou no final da tarde de domingo. Uma mulher (grávida) e a filha fazem-se à zona de servidão militar à busca de lenha e outros alimentos. De regresso à casa são abordadas por militares que obrigam a menina de 14 anos a ir deixar o molho de lenha no quartel, alegando que aquela área não é de acesso para a população.

A mulher espera pela filha. Esta segue com dois militares fardados. De regresso, no crepúsculo do sol, eis que um deles aborda a adolescente com violência e força um acto sexual, segundo relatos da suposta vítima. Encabulada, chocada e ainda a levar com a pancada psicológica do acontecimento, a menina abre-se à nossa equipa de reportagem com a voz trémula e quase que a falar em sílabas tentando retratar o que vivera: “quando eu estava a chorar, me pegou e eu cai, daí começou a me agredir”. Uma agressão sexual, esclarece, em palavras próprias de criança que não esta habituada a falar desse tipo de coisas: “tirou-me roupa”, esclarece.

O pai toma conhecimento e com os nervos à flor da pele vence o medo e invade o quartel onde mete-se em discussão e luta com o presumível violador da filha. Ai começa outro capítulo da violência. No dia seguinte, quatro militares munidos de armas de fogo do tipo AKM entram no bairro à procura do homem em causa. A população furiosa enfrenta o grupo que poe-se em fuga. Já na estrada que sai de Nampula para Nacala (a mesma direcção do quartel), um deles vira e dispara contra a população, alvejando mortalmente um jovem de 20 anos e ferindo uma criança de 10 anos.

Tédio! A dor é de tamanho de um prédio…o pai do malogrado vive a dor causada pelo choque entre a dor e a solidão. “Faleceu o meu filho, vítima da guerra de arma”, resume o homem,

No momento em que nos fizemos ao local dos acontecimentos, hoje, para colher elementos de reportagem, uma equipa do quartel fez-se ao bairro mas não quis dar entrevista. A mesma ia se inteirar da ocorrência, ao mesmo tempo que abordava a família do malogrado para que não retirasse o corpo da morgue antes da perícia do Serviço Nacional de Investigação Criminal.

Com a nossa intervenção, a adolescente deu entrada esta terça-feira nos serviços de medicina legal do hospital provincial de Nampula.

“Faz-se a profilaxia para diferentes doenças como HIV, hepatites e mesma para gravidezes indesejadas. À posterior faz-se um relatório que o doente leva consigo”, esclarece o médico Frederico Sebastião, chefe Banco de Socorros.

No mesmo hospital visitamos o menino baleado no braço e soubemos do médico que o mesmo foi atingido ligeiramente no músculo do braço esquerdo, devendo ter alta hoje.

A nossa equipa de reportagem contactou o comando militar na cidade de Nampula, mas não quis prestar declarações sobre o caso. Já a Polícia promete reagir esta quarta-feira.

 

fonte: opais.sapo.mz

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