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Guaidó regressou, teve palmas em vez de algemas, mas impasse mantém-se

Terça-feira, 05/03/2019 | 13:32 Juan Guaidó regressou a Caracas após périplo pela América do Sul.

Juan Guaidó regressou a Caracas após périplo pela América do Sul.
Guaidó havia saído da Venezuela sob a ameaça de que estaria a violar a lei e arriscaria ser detido quando voltasse. Mas não foi detido no regresso, tendo contado, na verdade, com o apoio e aplausos de milhares, que o receberam no aeroporto e na Praça Alfredo Sadel de Las Mercedes, onde discursou.

Além de apoiantes, também embaixadores de países europeus que reconheceram Guaidó marcaram presença.

"Estamos aqui como testemunhas da democracia e da liberdade para que o Presidente Guaidó possa regressar", afirmou o embaixador francês em Caracas, Romain Nadal. Entre os embaixadores europeus estava também o de Portugal, Carlos Nuno Almeida de Sousa Amaro, confirmaram fontes diplomáticas à agência Lusa.

No passado dia 23 de fevereiro, pelo menos quatro pessoas morreram e centenas ficaram feridas em confrontos ocorridos nas zonas de fronteira da Venezuela com a Colômbia e o Brasil, na sequência de um 'comboio' de ajuda humanitária internacional ter sido travado pelas autoridades venezuelanas.

Apesar do reconhecimento de cerca de 50 países de Guaidó como presidente, a verdade é que no terreno o regime de Nicolás Maduro mantém o apoio de forças de segurança e forças armadas. A estes, no seu discurso de regresso, Guaidó deixou uma mensagem.

"Senhores das Forças Armadas, devem deter os coletivos armados (...) ser cúmplice por omissão é um delito que lesa a humanidade. Peço-lhes que detenham os coletivos que atuaram no dia 23 de fevereiro", disse.

"Qual governo de esquerda, quando não há liberdades sindicais, quando atacam os indígenas? (...) Isto não tem nada a ver com a esquerda, nem com a direita, simplesmente são uns assassinos que massacram o nosso povo", acusou ainda no seu discurso.

Dos Estados Unidos, que mostraram desde a primeira hora o seu apoio a Juan Guaidó, chegara o aviso de que os Estados Unidos não iriam aceitar a detenção de Guaidó - um aviso secundado por mais países, saliente-se.

O regresso a Caracas do líder da assembleia mereceu de Mike Pompeo, o chefe da diplomacia norte-americana, um comunicado onde se afirma que "a comunidade internacional deve unir-se e pressionar para acabar com o regime brutal de Maduro".

Nicolás Maduro, recorde-se, está no poder desde 2013, sucedendo a Hugo Chavéz. No ano passado, foi reeleito em eleições marcadas por polémicas e abstenção, que não mereceram o reconhecimento de vários países.

A autoproclamação de Juan Guaidó mereceu o apoio imediato de países como os Estados Unidos e o Brasil. Portugal, a par de outros países da União Europeia, insistiram numa primeira fase para que Maduro aceitasse eleições. Quando tal não se verificou, juntaram-se a uma lista que nesta altura conta com cerca de 50 países que reconhecem Guaidó como legítimo líder da Venezuela.

Estima-se que residam cerca de 300 mil portugueses e lusodescendentes na Venezuela. Nos últimos meses notícias têm dado conta do regresso de membros da comunidade lusa a Portugal.

Maduro chegou a acusar Portugal de travar transferências de dinheiro. A decisão mais recente entre os dois países passou pela mudança da sede da petrolífera estatal venezuelana, a PDVSA, cujos escritórios na Europa se mudaram de Lisboa para Moscovo.

Na Venezuela, a crise económica e social continua a fazer-se senti. Tal como o impasse político.

fonte: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/1210180/gua

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