Sociedade

RENAMO contesta data para o arranque do recenseamento eleitoral

Wednesday, 10/04/2019 | 10:08 Maior partido da oposição diz que arranque do recenseamento eleitoral a 15 de abril favorece a FRELIMO, pois resultará "numa inscrição deficitária de eleitores" nos distritos afetados pelo ciclone Idai.

Maior partido da oposição diz que arranque do recenseamento eleitoral a 15 de abril favorece a FRELIMO, pois resultará "numa inscrição deficitária de eleitores" nos distritos afetados pelo ciclone Idai.

A Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), principal partido da oposição, está descontente com a nova data para o arranque do recenseamento eleitoral em Moçambique. Após a passagem do ciclone Idai, no centro do país, a FRELIMO, partido no poder, remarcou o início do recenseamento eleitoral, com vista às próximas eleições legislativas e presidenciais de outubro, para o próximo dia 15 de abril, terminando trinta dias depois, ou seja, a 15 de maio.

No entanto, Augusto Fernando, chefe nacional do Departamento de Organização e Estatísticas da RENAMO, considera que o governo violou a lei eleitoral, por não respeitar o que foi acordado entre os partidos políticos, INGC e os órgãos eleitorais, após a passagem do ciclone Idai, que era de prorrogar a data de início do recenseamento eleitoral entre 45 a 60 dias.

RENAMO e MDM saem prejudicados?

Em entrevista à DW África, este membro da RENAMO explicou que a "dilatação de 15 dias do início do recenseamento eleitoral é pouco clara e obscura, por ter a finalidade de promover uma inscrição deficitária de eleitores – uma vez que houve muita movimentação da população nos seus principais locais de habitação".

Refira-se que em grande parte dos distritos da província do centro do país, assolados pelo ciclone Idai e inundações, os partidos da oposição, sobretudo a RENAMO e o MDM, têm mais simpatizantes. Ou seja, acusa Augusto Fernando, a alteração da data do início do recenseamento, por parte da FRELIMO, "tem em vista a redução de mandatos das quatro províncias". "Aliás, viola grosseiramente a nossa Constituição ao querer privar, deliberadamente, aos cidadãos o direito de eleger e de ser eleito", acrescentou.

Por seu turno, a FRELIMO, partido que governa Moçambique desde a sua independência, lembra que não há razão para a oposição "reclamar", uma vez que a RENAMO, assim como o MDM, estão representados nos órgãos eleitorais e que o governo apenas aprovou uma proposta saída deste órgão.

Margarida Talapa, chefe da bancada parlamentar e chefe da brigada central de assistência a província de Nampula, fala em falta de preparação por parte da RENAMO.

"Os partidos com assento no Parlamento moçambicano, nós não devíamos ser os primeiros a por em causa os prazos, porque quem decide e quem propõe são os órgãos eleitorais. Nós, a FRELIMO, temos os nossos membros na Comissão Nacional de Eleições, assim como a RENAMO e o MDM. E estamos preparados para qualquer decisão", afirma.

Margarida Talapa acrescenta que a FRELIMO "não vê nenhuma inconveniência em iniciar o recenseamento eleitoral no dia 15 de abril. Penso que essa avaliação que se faz de que não estamos em condições [de iniciar o processo] e que só estaremos daqui a 45 dias, [mostra que] provavelmente a RENAMO não está preparada para as eleições", disse.

O processo de mobilização de eleitores para adesão nos postos de recenseamento eleitoral teve início, esta segunda-feira (08.04), em todo o país.

fonte: https://noticias.sapo.mz/actualidade/artigos/mocam

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