Sociedade

Ciclone Idai: A falta de alimentos e o desgaste psicológico

Friday, 12/04/2019 | 13:26 Psicólogos de Maputo estão na região centro de Moçambique para apoiar as vítimas do Idai, segundo o Ministério da Saúde. Médicos dizem que assistência alimentar é fundamental para a saúde mental.

Psicólogos de Maputo estão na região centro de Moçambique para apoiar as vítimas do Idai, segundo o Ministério da Saúde. Médicos dizem que assistência alimentar é fundamental para a saúde mental.

É urgente a assistência alimentar às vítimas do Idai no centro de Moçambique, para que se evite o desgaste psicológico, alertam psicólogos. Os profissionais já estão no terreno, juntamente com outros parceiros, e o foco é trabalhar os sintomas psicológicos, anunciou o Ministério da Saúde.

Segundo a psicóloga clínica Palmira Santos, investigadora em saúde mental no Ministério da Saúde, os profissionais deste setor estão a lidar com cenários em que os afetados apresentam desgaste psicológico por falta de alimentos. Por isso, diz a psicóloga, é urgente alocar bens de primeira necessidade, para permitir trabalhar mais facilmente com os sintomas psicológicos, "porque numa situação de luta pela sobrevivência, o ser humano tende a agir de forma impulsiva para tentar garantir o seu direito mais básico".

"Nesta situação, a equipa de saúde mental tem um papel fundamental para ajudar a diminuir esses conflitos", sublinha.

Na zona centro do país, a distribuição de comida para os afetados tem sido um a autêntica dor de cabeça, com denúncias de desvios de bens à mistura.

Há relatos de pessoas que já estão a abandonar os centros de acomodação devido à falta de produtos de primeira necessidade. Palmira Santos não tem dúvidas: "Nesta primeira fase, é preciso dar apoio no sentido de tranquilizar as pessoas e orientá-las em relação aos recursos disponíveis que estão a ser criados pelas várias instituições como o INGC, parceiros e Ministério da Saude".

Crianças são grupo de risco

A especialista em saúde mental teme que as crianças e adolescentes não sejam contemplados pela campanha de assistência psicológica, dada a escassez de recursos humanos. No entanto, garantiu que os profissionais no terreno vão tentar garantir assistência aos grupos sociais mais vulneráveis.

"Há um grupo de profissionais de saúde mental, voluntários, estudantes, técnicos de psiquiatria, que estão focados na atenção a estas crianças. Normalmente, os sintomas mais visíveis são os terrores noturnos, pesadelos, insónias…a maioria das crianças apresenta comportamentos regressivos. Ficam mais infantilizadas do que já eram", explica a psicóloga do Ministério da Saúde.

Palmira Santos lança ainda o alerta aos profissionais de saúde mental e outros que estão envolvidos em diversas operações, para que sejam salvaguardados os interesses dos afetados: "Se a pessoa não tiver esses sinais nesta altura, é preciso informar, porque em algum momento, esses sintomas podem surgir. Esta é uma informação importante, não só para psicólogos, técnicos de psiquiatria, mas também para todos os profissionais de saúde e todos os intervenientes que estão a apoiar estas vítimas".

Em Sofala, há zonas onde as comunidades ainda não receberam alimentação básica. Aos olhos de Hermenegildo Celso, psicólogo no terreno, é urgente a assistência a essas pessoas, mas não só: "Não é apenas a população, mas também os governantes precisam da intervenção dos psicólogos para darem o seu ponto de vista. Não resolvemos apenas a parte comunitária, mas a todo o nível, como do básico até ao superior".

fonte: https://noticias.sapo.mz/actualidade/artigos/ciclo

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