Sociedade

Moçambique está cada vez mais hostil para jornalistas – Amnistia Internacional

Sexta-feira, 03/05/2019 | 13:48 A organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional destacou hoje a crescente limitação à liberdade de imprensa em Moçambique e noutros países do sul de África, a propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se assinala hoje.

A organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional destacou hoje a crescente limitação à liberdade de imprensa em Moçambique e noutros países do sul de África, a propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se assinala hoje.

“No último ano assistimos a tentativas flagrantes de calar os media e de restringir o acesso à liberdade de expressão em países como Madagáscar, Zâmbia, Moçambique e Zimbabué, com jornalistas assediados ou simplesmente presos por fazerem o seu trabalho, com implicações ainda mais extensas, incluindo a autocensura”, afirma Deprose Muchena, diretora regional da Amnistia Internacional (AI) para o sul de África.

O “ataque” deste grupo de países à liberdade de imprensa “está a minar a própria essência das sociedades livres, onde os jornalistas devem poder fazer o seu trabalho sem temerem a intimidação, o assédio ou outras represálias”, acrescenta a ativista no texto hoje divulgado.

“Moçambique está a tornar-se cada vez mais hostil aos jornalistas”, destaca o comunicado da organização não-governamental, que avança com vários exemplos de coação do Estado sobre profissionais da imprensa, designadamente na província de Cabo Delgado (norte), onde o Governo tenta mais de um ano debelar uma vaga de violência que já fez mais de 150 mortos.

“Um jornalista de rádio, Amade Abubacar, está em liberdade sob fiança enquanto aguarda julgamento, depois de ter estado detido durante quase quatro meses após detenção por ter entrevistado um grupo de pessoas deslocadas que fugiram a ataques de grupos militantes em Cabo Delgado em janeiro”, assinala o comunicado.

Amade enfrenta um conjunto de acusações “infundadas” de “incitamento público” e de "insultos a responsáveis públicos" através da imprensa online, entre outras. O julgamento está ainda por agendar, acrescenta a AI.

Em dezembro do ano passado, o jornalista de investigação Estácio Valoi “foi sequestrado por militares e mantido incontactável durante dois dias no distrito de Mocímboa da Praia, norte de Pemba, acusado de espiar e de ajudar a dar guarida a grupos militantes". Foi depois "libertado sem acusação formada, mas o seu equipamento ficou confiscado pelos militares para ‘investigação posterior’”, relata a Amnistia.

Em junho de 2018, Pindai Dube, um jornalista que trabalha para a cadeia de televisão independente sul-africana eNCA, foi detido pela polícia moçambicana em Pemba e "acusado de espionagem", tendo sido libertado "três dias depois, sem acusação formada", acrescenta a ONG.

“As autoridades têm que deixar de desprezar os media e devem garantir aos jornalistas o espaço aberto para que realizem o seu trabalho em segurança, sem que tenham que estar sempre a olhar por cima do ombro”, afirma Deprose Muchena.

“Uma imprensa independente e vibrante é essencial aos direitos humanos. Os jornalistas não devem ser tratados como inimigos do Estado”, conclui a diretora regional da AI.

fonte: https://noticias.sapo.mz/actualidade/artigos/mocam

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