Tecnologia

5 razões pelas quais os EUA estão tão preocupados com a Huawei

Tuesday, 21/05/2019 | 16:30 Empresa chinesa é alvo de uma série de denúncias, envolvendo agências internacionais de espionagem, suspeita de roubo de tecnologia e de acordos secretos com o Irão.

Empresa chinesa é alvo de uma série de denúncias, envolvendo agências internacionais de espionagem, suspeita de roubo de tecnologia e de acordos secretos com o Irão.

O Google proibiu a segunda maior fabricante de smartphones do mundo, a Huawei, de fazer algumas atualizações no sistema operacional Android – o que significa que os novos aparelhos da empresa devem perder acesso a alguns aplicativos.

A medida foi anunciada depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter declarado emergência nacional na semana passada para proteger as redes de computadores do país contra “adversários estrangeiros”, resolução que, segundo analistas, é voltada principalmente para a gigante de tecnologia chinesa.

A Huawei é mais conhecida pelos telefones celulares, mas também fabrica uma enorme quantidade de equipamentos de comunicação usados ​​nos bastidores.

Mesmo que seja efetivamente impedida de vender nos EUA, analistas do setor estimam que a empresa controle de 40% a 60% das redes em todo o mundo.

5G: muito rápido, mas não muito seguro?

A Huawei está negociando com países do mundo todo para fornecer os sistemas que são o centro da próxima revolução nas redes de telefonia móvel – 5G.

A quinta geração de internet móvel promete ser tão rápida que provavelmente será usada em uma série de sistemas novos, como carros sem motorista.

E se a Huawei fizer parte do núcleo da infraestrutura 5G de um país, os adversários da China afirmam que a empresa poderá espionar as mensagens que circulam pelas redes ou até mesmo desligá-las, causando uma quantidade enorme de interrupções.

Mesmo antes da recente determinação de Trump, os EUA haviam tomado a iniciativa de pressionar aliados a evitar a empresa chinesa.

O governo americano focou principalmente nos membros da aliança conhecida como “Five Eyes” (Cinco Olhos, em inglês) – formada pelo Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, além dos EUA – cujas agências de espionagem têm uma relação bastante próxima e compartilham uma enorme quantidade de informações sigilosas, muitas vezes eletronicamente.

Os EUA ameaçaram parar de compartilhar dados com qualquer membro da rede de nações de língua inglesa que instalar a infraestrutura 5G da Huawei.

“Se um país adotar e colocar em alguns de seus sistemas críticos de informação, não vamos poder compartilhar informações com eles”, alertou o secretário de Estado americano, Mike Pompeo.

A Huawei negou repetidamente que agiria como um espião para o governo chinês, mas críticos chamam a atenção para as leis chinesas, que tornam impossível para as empresas se recusarem a ajudar na coleta de informações.

A companhia tem apelado também para a questão financeira, alertando que a proibição “servirá apenas para limitar os EUA a alternativas inferiores, porém mais caras, deixando os EUA atrasados ​​na implantação do 5G e, consequentemente, prejudicando os interesses das empresas e consumidores americanos”.

O temor de espionagem tecnológica por parte dos EUA provavelmente se baseia em parte em seu próprio comportamento.

Edward Snowden, ex-analista da Agência Nacional de Segurança Americana (NSA, na sigla em inglês), revelou que há anos as agências de espionagem do país invadiam links de comunicação que conectam data centers de grandes empresas de tecnologia – incluindo Google e Yahoo – e tentavam minar sua criptografia.

É fácil entender por que um governo desconfiaria de qualquer empresa com sede em um país rival.

O escândalo do braço robótico

Se os problemas da rede 5G são um pouco abstratos, outra polêmica envolvendo a Huawei é um pouco mais palpável: um de seus engenheiros foi acusado de roubar um braço robótico.

O funcionário alegou que o equipamento – usado para tocar repetidamente a tela de smartphones em fase de testes – caiu acidentalmente na sua bolsa, quando deixava um laboratório de design da T-Mobile.

A empresa alemã – que na época era parceira da Huawei – não acreditou nesta versão, e as duas companhias de tecnologia mais tarde resolveram a questão fora do tribunal.

O escândalo reacendeu após o surgimento de novos e-mails, lançando dúvidas sobre a alegação de que o engenheiro agiu sozinho e sugerindo que ele poderia ter sido instruído por alto executivos na China.

Esta é uma das razões pelas quais a diretora financeira da Huawei – Meng Wanzhou – foi presa no Canadá a pedido dos EUA no ano passado.

Jogo duplo com o Irão?

Meng ainda está lutando contra as tentativas de transferi-la para os EUA por conta dessa acusação, além de outras denúncias ligando a Huawei ao Irão.

A suspeita é que ela fazia parte de um esquema para driblar sanções dos EUA contra Teerão por meio de uma empresa chamada Skycom.

fonte: https://noticias.sapo.mz/tecnologia/artigos/5-razo

Comentário