Sociedade

7 de Abril comemora-se o dia da mulher moçambicana.

Monday, 06/04/2015 | 09:12 No dia 7 de Abril comemora-se o dia da mulher moçambicana. Por isso achamos conveniente escrever algo sobre o papel da mulher moçambicana no desenvolvimento social e económico da sociedade.

No dia 7 de Abril celebra-se o aniversário da morte de Josina Machel, segunda esposa de Samora Machel, primeiro presidente de Moçambique. Josina juntou-se ainda jovem à Luta Armada de Libertação Nacional.

Sendo o nosso grupo constituído na sua maioria por mulheres gostaríamos de assinalar este dia dando a conhecer o GRUPO DAS MULHERES MOÇAMBICANAS (GMM) NA HOLANDA.

Mas antes disso vamos contar como tem sido a luta pela emancipação da mulher na sociedade moçambicana.

Ao proceder à abertura da 1ª. Conferência da Organização da Mulher Moçambicana (OMM) a 4 de Março de 1973, Samora Machel dizia que “A libertação da mulher é uma necessidade da revolução, garantia da sua continuidade, condição do seu triunfo”. Deste discurso, destaca-se a referência ao papel da OMM, então criada (1973). “A Organização da Mulher Moçambicana que se constitui surge na estrutura da FRELIMO como um novo braço da nossa Revolução que deve atingir as largas massas de mulheres que até agora se conservavam à margem do processo de transformação que tem lugar na nossa Pátria. É a Organização da Mulher Moçambicana que deve trazer para a luta pela emancipação da Mulher e para a luta revolucionária, os milhões de mulheres do nosso País.”

Desde 1975 que a Constituição de Moçambique garante a não discriminação entre homens e mulheres. Em 1993, Moçambique adoptou e ratificou a Convenção das Nações Unidas sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW), mediante a resolução nº 4193 da Assembleia da República a 2 de Junho, a qual entrou em vigor a 16 de Maio de 1997. Aliás, o CEDAW foi ratificado por 47 dos 53 países africanos, o que é considerado importante para que as mulheres tenham condições de aceder aos níveis de poder de decisão em toda a sociedade (Binka, 2000).

No entanto, e apesar da Constituição de 1975 garantir a não discriminação entre homens e mulheres, pelo Art.º 14 da Lei da Nacionalidade de 1975, a mulher moçambicana perdia o direito à sua nacionalidade caso contraísse matrimónio com um cidadão estrangeiro. Era assim que estipulava a primeira constituição da República Popular de Moçambique. O Dr. Orlando da Graça foi o jurista moçambicano que insurgiu-se corajosamente contra essa lei, apontando a contradição então existente que definia a igualdade entre homem e mulher, mas que prejudicava a mulher em caso de matrimónio. Com a subida ao poder de Joaquim Chissano, alterou-se a constituição abrindo “fronteiras românticas” para as mulheres moçambicanas.

Para além de muitas mulheres terem participado na Luta Armada, a OMM desempenhou um também um papel crucial em algumas campanhas de alfabetização.

A ideia de pôr filhas a estudarem sempre existiu no seio dos moçambicanos (mesmo no tempo colonial). As mulheres desempenharam e desempenham um papel importante na socialização das populações, cuidando dos seus filhos, órfãos, doentes e feridos. A Organização da Mulher tem a seu cargo algumas creches e orfanatos.Moçambique é um país grande e, como tal, é muito difícil de falar de ‘uma’ mulher moçambicana. Há grandes disparidades entre a cidade e o campo, entre a cidade do cimento e a cidade do caniço, há diferenças entre o norte e o sul, e entre o litoral e o interior.

De um modo geral podemos dizer que as mulheres contribuem de forma activa no desenvolvimento do país (e muitas trabalham literalmente com os filhos às costas!). Se por um lado há cenas de violência doméstica, por outro lado, há sociedades matrilineares (como na zona do Angoche – e, por sinal nesta zona predomina a religião muçulmana) em que a mulher é a chefe da família.

Muitas mulheres destacaram-se. Umas de forma anónima, outras colocaram o nome de Moçambique para além das fronteiras como é o caso de Maria de Lurdes Mutola, a menina de ouro de Moçambique; Noémia de Sousa, a poetisa que denunciava a opressão colonial; Paulina Chiziane, uma escritora que faz a ligação entre a cultura tradicional moçambicana e a modernidade; Bertina Lopes, a artista plástica luso-moçambicana que vive há quarenta anos em Roma; Alcinda Honwana (Prins Claus Leerstoel 2007-2008) que é autora de inúmeras publicações sobre o envolvimento de crianças em conflitos armados.

HISTÓRIA DO GRUPO DAS MULHERES MOÇAMBICANAS (GMM) NA HOLANDA

O Grupo das mulheres moçambicanas (GMM) na Holanda foi fundado em Janeiro de 1995 por Belinha Williamo (já falecida). A primeira reunião teve lugar em casa da Belinha em Roterdão  no dia 29 de Janeiro de 1995. Estiveram presentes Adelaide Brouwer-Soares, Belinha Williamo, Carmo Mota, Claida Semá Drost, Fina da Silva, Flávia Ruirok-Guimarães, Ivone Macie, Paula Parente, Rebeca Tete e Urma Magerere. Também faziam parte do grupo Ancha Cadre, Láli Araújo e Mira Vermut.

Depois desta reunião, outras reuniões se seguiram.

Esta associação de carácter informal pretendia discutir os problemas dos moçambicanos (aqui e lá) e era uma maneira de partilhar com o grupo as actualidades de Moçambique. Para além disso, organizaram-se festas com pratos típicos moçambicanos (entre outros: matapa, chima, chamussas e caril) e danças tradicionais africanas (com capulanas, saias de palha, colares, etc.). De destacar as festas:

‘Mozambique 20 jaar onafhankelijk’ (Moçambique 20 anos após a independência) de 24 de Junho de 1995.

Participação na recepção ao então Presidente de Moçambique, Dr. Joaquim Chissano, a 16 de Novembro de 2000 no Cercle Royal Gaulois Artistique et Littéraire em Bruxelas.Recepção ao Presidente Guebuza no Park Plaza Victoria em Amesterdão em 28 de Fevereiro de 2008.

Em 21 de Março a GMM recebeu em conjunto com a Comunidade Moçambicana na Holanda Daviz Simango e mais dois representantes do recém formado Movimento Democrático Moçambicano.

Havia ainda ideias para projectos de cooperação para o desenvolvimento, projectos esses que infelizmente nunca tiveram andamento por falta de apoios.

O GMM esteve uma temporada parado após o falecimento da sua fundadora em 2000.

O GMM é uma organização sem carácter oficial e sem estatutos. Nunca recebeu apoio financeiro de nenhuma instituição. O Niza (Nederlands instituut voor Zuidelijk Afrika) apoiou a festa dos 30 anos de independência.

O GMM já organizou duas viagens para as mulheres que fazem parte destes grupo. Uma foi para o Algarve e outra para S. Martinho do Porto.Neste momento fazem parte da organização: Adelaide Brouwer Soares, Ancha Cadre, Carmo Mota, Claida Semá Drost, Cláudia Germano, Fina Da Silva, Ivone Macie, Leonor Loendersloot, Lilita Dulobo, Marta Barreto e Olivia Cândida. Neste momento estão a organizar uma festa para comemorar os 34 anos da independência. Esta festa será na APA (Associação Portuguesa de Amesterdão) no próximo dia 20 de Junho.

fonte: jornalnoticias.co.mz

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