Saúde - Bem-Estar

O casamento em Moçambique

Wednesday, 08/04/2015 | 15:05 Para o Moçambicano das terras onde estive, tendo em conta o que pude observar, o casamento resume-se ao seguinte:

No dia do casamento, a qualquer dia da semana, por volta das 18 horas, o noivo apresenta-se com o padrinho e a noiva com a madrinha.
Ficam sós durante muito tempo.
Aos padrinhos cabe esclarecer todo o percurso e envolvência próprios de um casamento.
A noiva deve ter-se golpeado nas nádegas, pernas ou outro sítio “apelativo”, de preferência antes do casamento. Se o não fez, pode ser o próprio noivo a indicar-lhe o local e o modo como efectuar esse golpe.
O objectivo destes cortes é para que o noivo os tacteie e tacteando-os possa despontar toda a sua virilidade. É uma forma de se sentir homem.
Coisas que a tradição a muito custo vai mantendo.
Aqui a festa é apenas nesse dia, caso as condições económicas não permitam mais.
Nela participa todo o bairro, mesmo que não seja convidado para o banquete.
Pela tradição, o casamento não seria “permitido” a menores de 18 anos, sendo proibida qualquer experiência pré matrimonial. Só que a tradição já não é o que era.
Os noivos não são predestinados pela família. Cada um escolhe livremente.
Hoje pode namorar um ou uma e amanhã já pode ser outro ou outra.
Se por acaso houve algum filho durante o período do namoro, mesmo assim não são obrigados a casar-se. Regra geral, o pai assume a paternidade sustentando o filho. Outras vezes só em Tribunal. Algumas vezes não assume, abandonando completamente a rapariga e o filho.
Os casais podem livremente separar-se. Partem para outra, como se diz.
É habitual que sejam os tios a assumir o cuidado das crianças quando os pais estão incapacitados para delas cuidarem. Ou quando ocorre o falecimento. 
É claro que estas tradições se vão diluindo com o passar dos tempos. Ocidentalizam-se também estes usos e costumes.
A Lei, em Moçambique reconhece três modalidades de casamento – Civil, Religioso e Tradicional.
Vejamos a noção de casamento.
“O casamento é a união voluntária e singular entre um homem e uma mulher, com o propósito de constituir família, mediante comunhão plena de vida.”
Igualmente prescreve os deveres da família:
“Assegurar a unidade e estabilidade próprias;
Assistir os pais no cumprimento dos seus deveres de educar e orientar os filhos;
Garantir o crescimento e desenvolvimento integral da criança, do adolescente e do jovem;
Assegurar que não ocorram situações de discriminações, exploração, negligência, exercício abusivo de autoridade ou violência no seu seio;
Amparar e assistir os membros mais idosos, assegurar a sua participação na vida familiar e comunitária e defendendo a sua dignidade e bem-estar;
Amparar e assistir os membros mais carentes, nomeadamente os portadores de deficiências e velar para que sejam respeitados os direitos e os legítimos interesses de todos e cada um dos seus membros.

fonte: http://macua.blogs.com

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